domingo, 9 de janeiro de 2011

"TERREMOTO DEVASTADOR - Haiti ainda sofre com efeitos"

Apenas 5% dos escombros foram removidos, segundo a ONG Oxfam. O país parece um acampamento de refugiados
FOTO: REUTERS

Um ano após o pior desastre dos últimos anos, país continua mergulhado no caos agravado pela cólera

Porto Príncipe. Devia ser a ocasião para começar do zero, uma oportunidade para "conjurar a maldição haitiana", como dizem seus habitantes, mas passado um ano do terrível terremoto de 12 de janeiro, o país continua mergulhado no caos e agora também pela cólera.

Eram 16h53. Os estudantes saíam dos colégios, os vendedores fechavam suas lojas, os haitianos regressavam paulatinamente para suas casas quando o movimento brusco interrompeu sua rotina. Um longo e terrível terremoto de magnitude 7, o pior desastre natural nos últimos 30 anos no mundo, atingiu o país mais pobre da América.

Mais de 220 mil mortos e 300 mil feridos, incluindo milhares de pessoas que tiveram membros amputados. Um milhão e meio de pessoas sem teto. Um Estado aniquilado. A sede da presidência e a sede da missão da Organização das Nações Unidas (ONU) desabadas. Em poucos dias, centenas de socorristas, seguidos por um exército de jornalistas, chegaram ao Haiti. Os Estados Unidos enviam 20 mil soldados para organizar a ajuda e evitar que o país de idioma francês mergulhasse na anarquia.

Somas de dinheiro sem precedentes foram prometidas. Em março, em Nova York, uma conferência internacional fez subir para US$ 10 bilhões a promessa de ajuda para reconstruir um país modelo.

Balanço
Mas, in loco, a Comissão interina para a Reconstrução do Haiti, que administra os fundos, não consegue atuar e os campos de refugiados improvisados se perpetuam. A capital Porto Príncipe ainda dá a impressão de ser um grande acampamento de refugiados.

"Nós tivemos que trabalhar em um território apocalíptico. Fizemos um trabalho bom e rápido em vista da situação", explicou a porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha), Elisabeth Byrs.

As agências da ONU respondem às críticas de certas ONGs, dentre elas a Oxfam, que denunciam o fato de um milhão de pessoas continuarem sem alojamento. Em Genebra, na Suíça, a ONU disse estar "otimista", considerando que se trata de uma "tarefa de vários anos".

A porta-voz do Programa Alimentar Mundial (PAM), Emilia Casella, destacou, por sua vez, a rapidez da resposta: "Seis semanas após a crise, o PAM distribuía comida para 4 milhões de haitianos. A má nutrição não foi agravada. Uma crise alimentar foi evitada", defendeu.

Já a porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Marixie Mercado, afirmou que "levou apoio a mais de 725 mil crianças". "Para algumas, foi a primeira vez que foram a escola", disse.

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